Entrevista exclusiva: Diretor do Limpa Gyn afirma que CEI é dispensável, mas chance de demonstrar transparência no contrato.

O diretor-executivo do Consórcio Limpa Gyn, Renan Andrade, enfatizou nesta quarta-feira (3), em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás, que a instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que vai investigar o contrato da empresa para quatro serviços na limpeza da capital é “desnecessária”, mas vai ser usada como oportunidade.

Ele quer esclarecer de vez equívocos sobre os serviços contratados e sua abrangência, os quais pairam há mais de um ano, quando o contrato foi assinado com a Prefeitura de Goiânia. O diretor observa que considera a CEI desnecessária porque poderia ter prestado os esclarecimentos sem esta necessidade.

A CEI não me incomoda em nada. Eu acho que ela poderia ser tratada de forma diferente. Essas dúvidas todas, eu sempre estive aberto a conversar, a receber, a visitar para dar explicação também – Renan Andrade

Com a CEI definida na Câmara, O Consórcio divulgou nesta quarta-feira uma nota pública para destacar que o fato não altera a prestação dos serviços contratados. Coonfirma, inclusive, ter interesse na investigação: “A apuração dos fatos é imprescindível para comprovar a lisura e a legalidade de todos os procedimentos operacionais e administrativos que pautam nossos serviços. Os investimentos realizados, no monitoramento, modernização e controle da operação, também estão abertos para análise”. Leia a íntegra ao final!

Câmara nunca convidou Consórcio para dar explicações

O diretor executivo afirma que, mesmo o Consórcio estando à frente dos serviços há mais de um ano e meio, nunca foi convidado pela Câmara Municipal para tirar dúvidas e diz que os esclarecimentos já prestados a vereadores ocorreram individualmente e durante visita de vários deles ao consórcio, ciceroneada recentemente pelo prefeito Sandro Mabel (UB).

Renan Andrade acrescenta que os pontos usados para justificar a CEI, teriam sido esclarecidos se tivesse sido chamado. Mesmo assim, ele destaca que espera encontrar espaço na comissão para rebater esses pontos, relacionados em reportagem de hoje do DG.

“Não tenho receio porque o contexto principal dessa CEI, pelo que eu estou entendendo, é verificar a prestação dos serviços. E nisso daí eu estou bem tranquilo porque eu não tenho questão nenhuma operacional a dever”, afirmou Renan.

Consórcio está atendendo acima do contratado, afirma diretor

Segundo ele, atualmente o Consórcio “atende acima do contrato nas pesagens [de resíduos], nos atendimentos, na logística de tempo”.

De todo modo, o diretor entende que existe uma lacuna grande de informação que leva a população, autoridades e meios de comunicação a não conseguirem separar quais são de fato os serviços contratados junto ao consórcio, creditando à Limpa Gyn, problemas de responsabilidade da Companhia Municipal de Urbanização (Comurg), da Equatorial Goiás (restos de podas) e até da fiscalização municipal e limpeza de espaços como os ecopontos, que são de gestão da Comurg.

O consórcio, lembra Andrade, foi contratado para quatro serviços:

  • Coleta do lixo orgânico (coleta 100% do gerado)
  • Coleta do resíduo seletivo (coleta 66% (3.300 toneladas/mês) e restante sociedade aproveita)
  • Remoção de entulhos inservíveis e catatreco
  • Varrição mecanizada

Mesmo assim, destaca o diretor, frequentemente são apresentadas imagens e denúncias sobre trabalhadores da limpeza pública realizando serviços – como varrição manual – como sendo do consórcio, devido à falta de clareza sobre quem é o responsável por cada serviço – neste caso, a Comurg. “Não temos nenhuma varrição que não seja mecanizada”, reforça.

Uso de maquinário em serviços particulares

Outro ponto também citado é de um provável uso de maquinário público para atender interesse privado, indicado no pedido de CEI. O diretor rebate.

“Houve a citação de que nós fazemos serviços particulares com a estrutura pública. Nunca tivemos a orientação de fazer nada privado. É proibido, inclusive. Agora, nós soltamos hoje mais de 100 saídas de coleta de remoção de entulho por dia. Se algum funcionário, por conta própria, fizer errado, ele vai ser punido com isso. Há casos, inclusive, de desligamentos”, enfatiza.

Mas ele lembra que o consórcio tem que recolher o que está na rua ou o que porventura possa ser privado, mas por orientação da Prefeitura, ou por risco de saúde.

“Tem muito lote aqui abandonado, gerando criação de roedores, escorpiões, moscas, insetos e, principalmente, focos de dengue. Então, nesses pontos assim, a orientação é de que façamos a limpeza até para que a Prefeitura possa notificar o proprietário e solicitá-lo de manter limpo, de manter murado, esse tipo de coisa”, salienta Andrade.

Aditivo de contrato saiu elevado para custear dissídio coletivo, justifica diretor

A respeito de uma citação sobre o aditivo do contrato realizado em abril, já na gestão de Mabel, estar sob avaliação da CEI, ele também comenta. Segundo o diretor, o valor do aditivo foi alto porque ele cobriu o dissídio coletivo dos trabalhadores do consórcio, algo previsto no contrato. Entretanto, como houve demora no acordo entre a categoria e os sindicatos patronais, houve atraso de quatro meses e isto impactou no valor do aditivo.

Segundo Andrade, o dissídio de 2025 já está próximo e vai novamente interferir no valor do contrato em futuro breve.

Avaliação desde que Consórcio assumiu é de serviços crescentes, após crise histórica na coleta

Destacando que em abril próximo o contrato completará dois anos, o diretor relembra que o Consórcio assumiu em meio a uma crise, com ruas da capital sofrendo por até 30 dias sem coleta de lixo. O cenário caótico exigiu uma força-tarefa que durou um quadrimestre de trabalho intenso.

“Desse primeiro quadrimestre, nós fomos crescendo exponencialmente. Tanto mão de obra, quanto equipamento, quanto a quantidade de material retirado. Para se ter ideia (…) na coleta orgânica, eu hoje coleto em torno de 20% acima do que o contrato definia inicialmente. Por quê? Porque é o que a população de Goiânia gera de resíduo”, acrescentou.

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